Acho triste quando vejo um monte de empresas me seguindo no twitter, esperando que eu as siga de volta. Não é só conhecer a ferramenta, tem que saber usar. O consumidor atual, especialmente o usuário da web 2.0, já não admite uma comunicação de mão única. Marketing pessoal é um marketing de massa, só que invasivo. As empresas acham que estão se aproximando de você com isso, mas não percebem que na verdade estão te forçando a conhecê-la. Essa estratégia pega tão mal quanto um spam.
Não é possível ser conhecido na Internet apenas se apresentando. A quantidade de informações é imensa, então o que não interessa fica pra trás. Os perfis "anônimos" mais seguidos do twitter conquistaram público sendo interessantes, de qualidade. É mais uma prova de que dentro da estrutura do mercado atual, o que pega mesmo é o viral, o boca a boca. As empresas tem que deixar de lado a imagem de instituição e mostrarem que são feitas de gente. A era das marcas está acabando, os nomes significam cada vez menos, e as pessoas cada vez mais.
Então ao invés de colocar sua empresa na web disparando "follows" por aí, crie o perfil para um dos seus funcionários. Como fez a agência 141 Soho Square (uma agência de publicidade que com certeza sabe se promover), ao criar o blog e o twitter do estagiário 141, ou a Nextel, com o blog do Pimentel. Grosso modo, funciona assim: "Pow, é um cara lá de dentro, contando as coisas de lá de dentro". O consumidor se sente comos se estivesse conversando com um colega de trabalho, ou seja, como se estivesse dentro da empresa.
Instituições parecem um bloco fechado, não tem nenhum approach. Isso assusta o consumidor, faz com que ele se sinta deslocado, como um aluno novo na escola. É desconfortável. Agora, uma pessoa, ou mesmo um pequeno grupo, são mais aproximáveis e amigáveis. É esse o ponto. Com o tempo, ele percebe que uma Nextel, por exemplo, é feita de gente como a gente, um pessoal que poderia muito bem serem seus amigos, ou seja: a Nextel é uma empresa parceira, amiga. Tá-dááá! Deixar um funcionário do MKT twittando e/ou postando no blog praticamente de graça gerou o sonho de toda empresa: fidelização.
Usar as novas mídias disponíveis não exige só conhecimento de tecnologia, mas também conhecimento de como deve ser a configuração da ação dentro dessa tecnologia. É preciso repensar o marketing como um todo. Isso sim é atualizar a relação da organização com o mercado.

